TRE-MT participa do 90º Coptrel no Recife
Combate à desinformação e fraudes nas cotas de gênero são prioridades para 2026

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) marcou presença e participou ativamente das deliberações do 90º Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel), realizado na capital pernambucana, Recife. Durante as plenárias da última sexta-feira (6), os gestores definiram as diretrizes estratégicas para o processo eleitoral de 2026, colocando em evidência temas como governança, acessibilidade, combate contundente à desinformação e o rigor contra as fraudes nas cotas de gênero.
Representando a Justiça Eleitoral mato-grossense, a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes, ressaltou a importância da integração nacional entre os tribunais para blindar o próximo pleito contra ameaças digitais e estruturais.
"As Eleições de 2026 exigirão de nós uma atuação firme, proativa e inovadora. O combate às fraudes nas cotas de gênero não é apenas uma obrigação legal, mas a defesa indispensável da verdadeira representatividade democrática. Além disso, precisamos atuar em rede para garantir que o uso malicioso da inteligência artificial não comprometa a integridade do pleito e a escolha livre e consciente do eleitor mato-grossense", destacou a desembargadora Serly Marcondes.
Debates e Desafios
A programação do evento foi aberta pelo anfitrião, o presidente do TRE-PE, desembargador Fernando Cerqueira. Fazendo alusão à Data Magna da Revolução Pernambucana, celebrada no dia 6 de março, o magistrado lembrou que "a democracia não se improvisa; ela se constrói todos os dias, com instituições fortes, respeito às diferenças e participação cidadã".
Os painéis técnicos aprofundaram os principais gargalos para 2026. A juíza assessora especial da Corregedoria-Geral do TJPE, Mariana Vargas, foi categórica ao tratar da importância da fiscalização nas cotas de gênero. Ela reforçou que as tentativas de burlar o percentual mínimo de 30% de candidaturas de um mesmo gênero podem resultar na cassação de toda a chapa proporcional e na inelegibilidade dos envolvidos.
O avanço tecnológico também pautou as discussões de forma incisiva. Representando o Ministério Público Eleitoral, o procurador federal Wellington Saraiva traçou um histórico de como os algoritmos já interferiram em eleições passadas e fez um alerta contundente sobre os riscos do uso indevido da Inteligência Artificial como mecanismo de criação e distribuição de narrativas falsas (deepfakes).
No âmbito da administração pública, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, palestrou sobre governança. Para o ministro, os pilares de uma boa gestão exigem transparência e eficácia, priorizando áreas como responsabilidade fiscal, inovação e inclusão social.

Carta do Recife e Encerramento
As discussões técnicas abriram espaço para um momento de reflexão conduzido pelo Padre Arlindo, pároco de Tamandaré (PE). Com uma abordagem que uniu filosofia e espiritualidade, o religioso emocionou os participantes ao encorajar magistrados e servidores a encararem a complexa missão de organizar as eleições com otimismo e resiliência.
Ao final do encontro, as deliberações conjuntas dos presidentes resultaram na elaboração da "Carta do Recife". O documento oficializa o compromisso dos TREs de todo o país — com forte endosso do TRE-MT — em intensificar a defesa das urnas eletrônicas, aplicar o uso racional de recursos públicos e atuar de forma implacável contra candidaturas fictícias nas Eleições Gerais de 2026.
Daniel Dino
Assessoria TRE-MT

