TRE-MT alista 51 adolescentes internos do Case Cuiabá pelo projeto Registre-se!

Jovens, que cumprem medida socioeducativa no Centro de Atendimento Socioeducativo, puderam fazer o cadastramento biométrico, a identificação e o título de eleitor; projeto do CNJ viabiliza documentos para indivíduos em situação de vulnerabiidade

TRE-MT alista 51 adolescentes internos do Case Cuiabá pelo projeto Registre-se! 1
Desembargador Lídio Modesto da Silva Filho representou o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso no evento

Cinquenta e um adolescentes internos do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Cuiabá tiveram a oportunidade de fazer a identicação biométrica e tirar o título de eleitor.Os jovens foram atendidos pela Justiça Eleitoral dentro do projeto Registre-se! Eleitoral, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Foram 36 garotos e 15 garotas que fizeram o alistamento eleitoral. O objetivo é viabilizar a emissão de documentos para pessoas em situação de vulnerabilidade, levando serviços a estabelecimentos de custódia e demais pessoas sub-registradas.

Em Cuiabá, o atendimento eleitoral do Registre-se! reuniu autoridades dos Tribunais de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) e Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), além da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) e do próprio CNJ. A Justiça Eleitoral levou para o Registre-se! três estações de atendimento com kits biométricos e quatro servidores da 39ª Zona Eleitoral. O grupo de internos, com idades entre 15 e 18 anos, foi dividido em duas turmas: primeiro os rapazes e depois as garotas.

Os dois grupos assistiram ao vídeo educativo da Escola Judiciária Eleitoral de Mato Grosso (EJE-MT), de cerca de 9 minutos, que trouxe explicações sobre o direito ao voto e a importância das eleições na vida em sociedade. Em seguida, um a um, os internos foram chamados para fazer o título de eleitor, com identificação cadastral, coleta biométrica e fotografia. Na sequência, cada adolescente participava de uma simulação em uma urna eletrônica, com a ajuda de um servidor da Justiça Eleitoral.

“Esse projeto é de extrema importância, uma vez que se trata de uma perspectiva de inclusão desses jovens que aqui se encontram. O ideal do projeto, num primeiro momento, é combater o sub-registro, e o TRE entra no conceito de explicar para esses jovens a ideia de cidadania, a necessidade de sua participação no processo democrático. Temos ainda a necessidade de fazer a inclusão desses jovens no processo de escolha dos nossos governantes. Então, não somente a ideia de explicar a necessidade de entender o processo democrático, mas também incluí-los dentro desse processo de escolha”, afirmou o desembargador Lídio Modesto da Silva Filho, naquele ato representando o desembargador Marcos Machado, vice-presidente do TRE-MT e corregedor regional eleitoral de Mato Grosso.

A juíza Leilamara Aparecida Rodrigues, da 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, coordenadora do Eixo Socioeducativo do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF) do TJMT, enalteceu o caráter de cidadania do trabalho, não somente de criar uma oportunidade de ter um documento necessário, mas do que esse documento representa para cada cidadão e cidadã. “A ressocialização é um dos eixos que a gente trabalha, para que eles possam realmente cumprir essa medida socioeducativa de internação, que eles tenham esse contato com a sociedade, para que, na hora em que eles realmente forem participar ativamente da sociedade lá fora, possam já conhecer os seus direitos e os seus deveres perante a nossa sociedade”, observou.

Adolescentes foram divididos em dois grupos para receberem o atendimento da Justiça Eleitoral

Cidadania e Direitos

O diretor da EJE-MT, Welder Queiroz dos Santos, juiz-membro substituto do TRE-MT, teve um rápido bate-papo com as adolescentes do Case Feminino. Ele citou a importância do voto como um instrumento para a criação de políticas públicas que afetam a vida coletiva e individual das pessoas. “Na rua onde os familiares de vocês moram é asfaltada? Vocês já andaram de transporte público de ônibus? Em algum momento, vocês ou algum familiar já precisaram ir a um posto de saúde? Por que eu estou fazendo essas perguntas? Para destacar a importância do poder do voto. Tudo isso depende das políticas públicas. E quem estabelece as políticas públicas são as pessoas em quem a sociedade vota, que a sociedade escolhe. Vejam como o voto pode ter impacto no dia a dia”, enfatizou.

A secretária-adjunta do Sistema Socioeducativo e Política sobre Drogas, Lenice Silva dos Santos Barbosa, da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), lembrou que os internos, hoje adolescentes, daqui a pouco serão homens e mulheres, pessoas que poderão ou não estar inseridas na sociedade. “Às vezes esses jovens se veem como invisíveis na sociedade. Quando o TRE-MT traz uma ação dessa aqui para dentro do sistema socioeducativo, também é um processo de inserção, porque, às vezes, lá fora, até cooptados pelas facções, eles sequer lembram de ter um documento, um registro civil, então não se alistam e também não fazem o título de eleitor”, comentou.

Vivian Murbach Coutinho, assistente técnica do CNJ no evento e integrante da Área de Documentação e Identificação Civil do Programa Fazendo Justiça, enfatizou a relevância da iniciativa para jovens em cumprimento de medida socioeducativa no Case Cuiabá. Segundo ela, o programa Registre-se! Eleitoral visa garantir o acesso à documentação civil por meio da identificação e do cadastramento biométrico promovendo a emissão título eleitoral e possibilitando a participação dos jovens nas eleições. "Ao exercerem o direito ao voto, esses jovens já vão se educando e amadurecendo diante da participação no processo eleitoral. Ainda, o título eleitoral é um documento muito importante na cadeia documental dessas pessoas dando a possibilidade de acesso a direitos e outras políticas públicas", destacou.

O jovem E.V.S.S., de 18 anos, considerou importante a iniciativa porque o título de eleitor o fez se sentir mais cidadão para exercer o seu direito. “Acho importante ter esse documento porque lá fora eu nem sabia que tinha que fazer título de eleitor. Aqui dentro apareceu essa oportunidade, e eu aproveitei”, disse o interno. A adolescente B. S.M., de 17 anos, relatou que não sabia que adolescente menor de 18 anos podia votar. “Achei que só adulto podia votar e não sabia que quem tem 16 anos já podia fazer o título, mas é bom que a gente vai aprendendo algumas leis. Como mostrou o vídeo que passaram pra gente, eu não sabia que, mesmo estando aqui, a gente tem direitos”, completou ela.

Interna do Case Feminino Cuiabá realiza simulação de voto na urna eletrônica com ajuda de servidor da Justiça Eleitoral

Os títulos de eleitor emitidos pela Justiça Eleitoral não ficam com o interno, mas com a instituição, assim como outros documentos pessoais. Também participaram das atividades do Registre-se!, pela Corregedoria Regional Eleitoral de Mato Grosso, o juiz auxiliar Marcelo Sebastião Prado de Moraes; Breno Antonio Sirugi Gasparoto (coordenador), Kelsen de Magalhães França (assessor técnico) e Paulo Henrique Peres Xavier (chefe da Seção de Orientação e Apoio às Zonas Eleitorais).

A Justiça Eleitoral promoveu atendimentos em sete municípios de Mato Grosso, em unidades voltadas para custodiados e custodiadas, além de internos e internas que cumprem medida socioeducativa. O projeto ocorre também em estabelecimentos de custódia de 14 estados das cinco regiões do país, entre os dias 16 e 20 de março, com apoio técnico do programa “Fazendo Justiça”. Este programa, alinhado ao Plano Pena Justa, promove a transformação normativa de sistemas penitenciários e de reintegração social.

#PraTodosVerem - A imagem mostra uma sala de atendimento onde adolescentes do sistema socioeducativo, vestidos com camisetas verdes, estão sentados em cadeiras azuis e assistem a uma apresentação. À frente, o desembargador Lídio Modesto, do TRE-MT.  fala ao grupo, enquanto outros profissionais acompanham a atividade. No ambiente, há equipamentos como computador, projetor e uma urna eletrônica ao fundo, indicando uma ação educativa relacionada ao processo eleitoral.

Jornalista Anderson Pinho

#PraTodosVerem - A imagem mostra uma sala de atendimento onde adolescentes do sistema socioeducativo, vestidos com camisetas verdes, estão sentados em cadeiras azuis e assistem a uma apresentação. À frente, o desembargador Lídio Modesto, do TRE-MT.  fala ao grupo, enquanto outros profissionais acompanham a atividade. No ambiente, há equipamentos como computador, projetor e uma urna eletrônica ao fundo, indicando uma ação educativa relacionada ao processo eleitoral.