Idosos da Grande CPA tornam-se aliados da Justiça Eleitoral no combate à desinformação
Ação do Projeto “Detetives da Cidadania”, do TRE-MT, promove educação midiática e leva serviços eleitorais ao público atendido pelo Centro de Convivência para Idosos (CCI) Aideê Pereira do Nascimento, em Cuiabá

Cerca de 60 idosos, moradores de mais de 50 bairros da região da Grande CPA, em Cuiabá, agora são aliados da Justiça no combate à desinformação. O grupo atendido pelo Centro de Convivência para Idosos (CCI) “Aideê Pereira do Nascimento”, no bairro Novo Horizonte, participou, na manhã desta segunda-feira (23), do piloto do projeto “Detetives da Cidadania”, desenvolvido pela Assessoria de Comunicação Social (Ascom) do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). O foco desse trabalho é a promoção da educação midiática e o combate à desinformação entre o público idoso.
Com o uso de vídeos educativos, dinâmicas e oportunidade de tirar dúvidas, a ação levou esclarecimentos sobre a segurança do processo eletrônico de votação, maneiras simples de checar se a informação recebida é verdadeira ou falsa e como o(a) eleitor(a) deve agir ao receber uma notícia falsa. A explanação também serviu para apresentar a atuação da Justiça Eleitoral, que não faz cobrança de multa por aplicativo de mensagem nem por ligação telefônica. Os idosos atendidos também receberam a revistinha “Voto Consciente”, com jogos e caça-palavras (passatempos) relacionados à segurança da urna eletrônica, às atribuições da Justiça Eleitoral e a informações gerais.
A desembargadora Serly Marcondes Alves, presidente do TRE-MT elogiou a participação do público do CCI e manifestou confiança de que o projeto possa servir de exemplo para o país, diante do seu formato e da sua relevância. De acordo com ela, ter acesso à informação correta, sem distorções, é direito de todos, para que a desinformação não atrapalhe o(a) eleitor(a) diante da sua escolha. A presidente do TRE-MT afirmou que a ação levada até os idosos é uma forma de garantir que o voto continue sendo uma maneira de eles serem ouvidos, não só pelo exercício da cidadania, mas como pessoas idosas bem-informadas.
“Foi um grande sucesso. Estou feliz e satisfeita com o envolvimento do nosso público com a atividade trazida pela Justiça Eleitoral. Eles participaram, interagiram e demonstraram, claramente, que querem ser ouvidos, que querem ajudar a decidir o futuro deles e de todos nós. Tiveram a liberdade para se manifestar e conhecer as ferramentas de como lidar com a desinformação. Isso é inclusão, e inclusão é transformação. A pessoa passa a ser um vetor de verdade e não massa de manobra. Onde tem a verdade, a mentira desaparece”, pontuou Serly Marcondes Alves.

METODOLOGIA
Os trabalhos foram conduzidos pelo jornalista Daniel Dino Cardoso de Souza, chefe da Ascom-TRE-MT. No momento mais descontraído, foram distribuídos ao público presente displays em forma de disco (bolachão), frente e verso: de um lado, escrito “fato” (verdade), na cor verde; do outro, “mentira” (fake), em vermelho. Para cada pergunta feita, os participantes tinham um tempo para dizer se aquela informação era verdadeira ou falsa. Foram seis perguntas. Uma delas foi: “Durante a eleição, quando a energia elétrica da seção eleitoral acaba, é necessário esperar o retorno da energia para retomar a votação?”. Enquanto uma parte achou que era verdade, a outra achou que era mentira.
“É mentira, é fake essa informação. Se a energia elétrica acabar durante a votação, a eleição continua normalmente. As urnas eletrônicas possuem bateria interna, o que permite que funcionem por várias horas sem estarem ligadas à tomada. Assim, a votação não é interrompida. Os votos já registrados não são perdidos. A Justiça Eleitoral prepara as urnas justamente para esse tipo de situação. Os votos ficam gravados na memória da própria urna, não dependem de internet e não são apagados em caso de queda de energia”, explicou Daniel Dino.

CUIABÁ
A abertura da atividade contou com a presença do juiz auxiliar da Presidência, Luís Aparecido Bortolussi Júnior; do diretor-geral da instituição, Mauro Sérgio Rodrigues Diogo; da titular da Secretaria de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência de Cuiabá, Hélida Vilela de Oliveira; além de assessores e gestores das duas entidades.
“É um público que está mais exposto à desinformação digital e às tentativas de golpes de todas as naturezas. É um trabalho muito importante que o TRE-MT faz ao ensiná-los a identificar uma fake news, a saber qual é a notícia verdadeira e qual é falsa. Também é uma oportunidade de estar em dia com a Justiça Eleitoral”, reforçou Hélida Vilela de Oliveira.
Para a aposentada Martinha Rodrigues de Araújo, de 65 anos, o projeto representou a chance de tirar dúvidas e de saber como lidar com a desinformação. “Eu fiquei muito feliz. Olha, eu nunca tinha visto isso acontecer, de o TRE-MT vir até a gente. Normalmente, é a gente que vai ao TRE-MT. Gostei demais da palestra e das brincadeiras de verdade ou mentira. Isso é muito importante. Eu converso muito com meus filhos sobre mensagens que chegam no celular da gente. Algumas a gente já sabe de cara que são mentira, outras ainda podem enganar. Mas não tem segredo, é só checar a informação, ver de onde a mensagem veio”, afirmou.
Ao término da ação, os participantes receberam certificado de participação com o título “Embaixador da Verdade”, reconhecendo o papel fundamental que desempenham na disseminação de informações corretas e no fortalecimento da democracia. Em seguida, foi servido um café da manhã com salgados, bolos, frutas, sucos naturais e refrigerantes zero açúcar. Segundo informações da Gerência do CCI “Aideê Pereira do Nascimento”, o local atende um público diário que varia entre 60 e 100 pessoas, sendo que 300 estão cadastradas na instituição. O público atendido participa de várias atividades, de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h, com aulas de ginástica, musculação, coral, grupo de siriri, oficinas de artesanato e inclusão digital, além de outras que serão inseridas ainda este ano.
A ação do TRE-MT contempla a iniciativa “Prosa e Verdade: Justiça Eleitoral na Terceira Idade” e é parte do Plano Nacional de Educação Midiática, aprovado durante o 89º Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel).
Posto de atendimento
Um posto eleitoral de atendimento foi montado em uma das salas do CCI “Aideê Pereira do Nascimento” para atender exclusivamente o público assistido pela casa e os servidores da instituição. Dois servidores da 55ª Zona Eleitoral atenderam durante toda a manhã para diversos serviços, como cadastramento biométrico, mudança de domicílio, transferência, atualização cadastral e regularização de título suspenso.
Quem aproveitou a oportunidade para transferir o título de Poconé (a 104 km de Cuiabá) para a capital foi o sitiante Manoel Jesus de Barros Cunha, de 66 anos. Depois de participar das atividades do projeto “Detetives da Cidadania”, ele foi um dos primeiros a receber atendimento da Justiça Eleitoral. “Eu vim transferir meu título lá de Poconé para cá, porque eu não moro mais lá, estou morando em Cuiabá. Transferindo para cá, fica mais fácil para nós votarmos. Fiquei sabendo ontem que o TRE-MT estaria aqui hoje e resolvi aproveitar”, comemorou.
Jornalista Anderson Pinho
#PraTodosVerem – Grupo numeroso de idosos do CCI “Aideê Pereira do Nascimento” e representantes da Justiça Eleitoral e da Secretaria de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência de Cuiabá posa para foto em espaço amplo e iluminado, segurando placas circulares verdes com a palavra “fato”. À frente, há uma mesa com notebook e microfone, indicando atividade educativa, enquanto participantes sorriem e demonstram clima de integração, aprendizado e celebração ao final da ação.









