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Segurança da votação eletrônica é tema de reunião do TRE-MT com representantes partidários

Encontro abordou a confiabilidade da urna eletrônica e o Teste de Integridade, que consiste na auditoria do processo eleitoral

TRE-MT Segurança da votação eletrônica é tema de reunião do TRE-MT com representantes partidários

Em um encontro voltado a fortalecer a confiança e a transparência nas Eleições Gerais de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) reuniu, na manhã desta terça-feira (15.09), dirigentes partidários, advogados, advogadas, candidatos, candidatas e representantes de entidades fiscalizadoras para tratar da “Segurança do Processo Eleitoral”. Realizada de forma virtual, a 5ª Reunião com Dirigentes Partidários, Advogados e Candidatos ocorreu em conjunto com a 1ª Reunião da Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica (CAVE). 

 

O objetivo foi ampliar o diálogo sobre os mecanismos que asseguram a confiabilidade das urnas eletrônicas e a integridade da votação, conforme destacou a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves. "Este encontro demonstra o compromisso da atual gestão em manter um canal permanente de diálogo com todos e todas que participam do processo eleitoral. Tudo que fizemos junto aos representantes partidários, no sentido de repassar orientações, eles atenderam e colocaram em prática. A urna eletrônica possui múltiplas camadas de segurança, e permite que seja auditada e que a segurança do sistema seja comprovada. Tenho certeza de que as exposições feitas hoje contribuirão para fortalecer ainda mais este diálogo" 

 

Após a abertura, o secretário de Tecnologia da Informação, Leon Santos Filho, fez uma explanação sobre "Segurança do hardware e dos desenvolvimentos dos sistemas". Definido como um hardware dedicado, de arquitetura nacional, o secretário acrescentou que a urna eletrônica não é um computador de uso geral, mas sim, um equipamento concebido pela própria Justiça Eleitoral. "A segurança é desenhada desde a base (security by design) e isolamento físico de redes externas e da internet, com perímetro criptográfico em hardware. As chaves privadas nascem e permanecem dentro do chip, ou seja, nunca trafegam em texto claro pela placa ou pela memória. A inicialização é segura, pois um único bit divergente trava o equipamento", detalhou. Ele explicou, ainda, sobre a entropia em hardware, que consiste na geração de números aleatórios verdadeiro que usa fenômenos físicos para embaralhar os votos, garantindo o sigilo sem depender de algoritmos previsíveis. 

 

Já com relação ao software da urna eletrônica, Leon Santos Filho frisou que há uma proteção anti-violação que funciona como um cofre ativo. "O gabinete é monitorado 24 horas por dia por bateria interna independente, mesmo com a urna desligada e armazenada. "Existem sensores de intrusão, além do que chamamos de zeroização autônoma, onde cada abertura, perfuração ou variação brusca de temperatura e tensão cortam a energia da área segura, apagando de forma irrecuperável as chaves da eleição. A urna também passa por um encapsulamento restritivo, no qual trilhas e chips vitais recebem resinas epóxi especiais, portanto, tentar raspá-las para acoplar fios de interceptação quebra fisicamente os componentes. Outro ponto importante é que a auditoria ocorre desde a fábrica, com rastreabilidade de componentes, inspeção óptica e por raios-x e ensaios destrutivos por lote. A urna sai da fábrica inerte, sem software de votação, sem banco de dados e sem chaves de eleição instaladas". 

 

Protótipo mato-grossense 

 

A contribuição histórica de Mato Grosso para a criação da urna eletrônica foi destacada na apresentação. De acordo com registros institucionais e estudos históricos, o TRE-MT foi pioneiro na informatização eleitoral, sendo que um dos primeiros protótipos da "máquina de votar" - considerada o embrião da urna eletrônica moderna – foi concebido por equipes da Justiça Eleitoral mato-grossense. O trabalho foi liderado pelo servidor Luiz Roberto da Fonseca, com apoio de diversos servidores(as) do Tribunal, na década de 1990, tornando-se um marco na modernização eleitoral brasileira. 

 

O coordenador de Sistemas Eleitorais e Logística de Eleições do TRE-MT, Salomão Fortaleza, abordou o tema "Fiscalização e auditoria do processo eleitoral". Ele elencou os processos de preparação das urnas eletrônicas, votação, apuração e totalização dos resultados, que podem ser acompanhados por entidades fiscalizadoras, como Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), partidos, federações e coligações. "Esta preparação começa com a geração de mídias de carga, votação e resultado, que são acondicionadas em envelopes de segurança e, ao final, é feita a ata da cerimônia. Depois, ocorrem os atos de carga e lacre, nos quais os dados são inseridos nas urnas eletrônicas que, após isso, são lacradas. O processo de trabalho também envolve preparação das urnas de contingência, das urnas de lona para votação manual (caso haja necessidade no dia), transmissão das correspondências e lavratura das atas". 

 

No TRE-MT, estas cerimônias de preparação ocorrem a partir desta sexta-feira (18.09), em Cartórios Eleitorais do estado. Na capital, as cerimônias de preparação das urnas das 1ª, 39ª, 51ª e 55ª Zonas Eleitorais (Cuiabá), além das 20ª ZE e 49ª ZE (de Várzea Grande) serão realizadas no Espaço de Conservação das Urnas da Casa da Democracia, localizada na Avenida Rubens de Mendonça, nº 4.750, Centro Político Administrativo, entre os dias 21 e 25/09.   

 

Teste de Integridade 

 

A auditoria da urna eletrônica, denominada Teste de Integridade, foi outro tema abordado na reunião. A secretária da Comissão de Auditoria de Votação Eletrônica (CAVE), Karina Dziedzic, expôs as etapas do procedimento, que ocorrerá no dia da votação, 05/10, e conta com a participação de entidades fiscalizadoras. "O Teste de Integridade será aplicado em 20 urnas do estado, sendo uma delas com a liberação por biometria, cujo eleitor(a) será convidado(a) a participar, em uma seção eleitoral do UniSENAI. O objetivo é comprovar que os votos preenchidos nas cédulas de votação que serão digitados nas urnas correspondem aos resultados apresentados nos boletins de urnas, ao final da votação. 

 

No momento, estão sendo credenciados representantes destas instituições fiscalizadoras interessados(as) em indicar as seções eleitorais que terão urnas auditadas. O ato de escolha/sorteio ocorrerá na véspera da eleição, dia 03/10 (sábado), às 8h, no Plenário do TRE-MT. Foi definido um raio de distância de 300 km de Cuiabá, para garantir o recolhimento das urnas em tempo hábil, excluídas as seções de localidades de difícil acesso. Veículos oficiais do Tribunal estarão a postos em municípios considerados polos centrais: São José do Rio Claro (29ª ZE), Mirassol D'Oeste (18ª ZE), Pedra Preta (25ª ZE), Primavera do Leste (40ª ZE), Tangará da Serra (19ª ZE), Diamantino (7ª ZE) e Poconé (4ª ZE), além de carros destinados às rotas das Zonas Eleitorais de Cuiabá e Várzea Grande. 

 

Karina Dziedzic esclareceu que a CAVE não interfere no conteúdo dos votos digitados e que todo o trabalho da Comissão é acompanhado por auditoria externa independente, que faz um relatório ao final de todo o processo. Ela ressaltou, ainda, que é vedada a indicação/sorteio de mais de uma seção por Zona Eleitoral para o mesmo teste. Isso porque, também no mesmo dia da votação, 05/10 será feito o Teste de Autenticidade, que consiste na geração de um relatório, antes da emissão da Zerézima (que comprova que não há nenhum voto registrado na urna, antes do início da votação), com o objetivo de demonstrar a autenticidade dos sistemas eleitorais. Este procedimento será aplicado em três urnas eletrônicas, cujas seções eleitorais também serão indicadas pelas entidades fiscalizadoras credenciadas ou, caso seja necessário, sorteadas.   

 

O presidente da CAVE, juiz Pierro Mendes, reforçou a importância do envolvimento de representantes partidários, federações, coligações e demais órgãos fiscalizadores. "A participação das entidades fiscalizadoras é fundamental para o sucesso dos procedimentos. O convite com acesso ao formulário para indicação dos representantes foi enviado por e-mail. A CAVE permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos", salientou 

 

Mais informações sobre a CAVE e o processo de auditoria da urna eletrônica podem ser encontrados no site do TRE-MT. Clique aqui para acessar. A 5ª Reunião com Dirigentes Partidários, Advogados e Candidatos foi transmitida pelo canal do TRE-MT no YouTube. 

 

Jornalista: Nara Assis 

 

#PraTodosVerem: A imagem principal mostra captura de tela de uma reunião virtual, com diversos participantes conectados por videoconferência, incluindo integrantes do TRE-MT e representantes de outras instituições. A presidente, desembargadora Serly Marcondes Alves, aparece entre os participantes. No corpo do texto, tem outras fotos que mostram a tela da videoconferência com slides das apresentações feitas na reunião e alguns participantes, na parte da cima.