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Documentário e palestra no TRE-MT debatem enfrentamento à Violência contra Mulher
Evento ocorreu nesta terça-feira no Plenário da Corte Eleitoral e mobilizou servidores, estagiários, terceirizados e magistrados
O plenário do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) virou, nesta terça-feira (16), uma sala de cinema onde servidores e servidoras da Justiça Eleitoral puderam acompanhar a exibição de um videodocumentário que conta a história de uma garota cheia de sonhos, vítima de feminicídio. O evento gratuito e voltado ao público interno também contou com a palestra “Mulheres Seguras: prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso”, com a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá. A atividade teve transmissão ao vivo pelo canal do TRE-MT no YouTube.
A programação dessa atividade foi aberta pela desembargadora Serly Marcondes Alves, presidente do TRE-MT, que citou os desafios de ser mulher em uma sociedade em que ela acumula tarefas, responsabilidades e a necessidade de resistir e denunciar a prática da violência dentro e fora de casa. “Uma mulher tem que lutar por espaço e evitar a violência. Mulher é diferente de homem, a gente administra de forma diferente. A gente administra com o coração, com a mente, com o corpo inteiro. A gente vem mais cedo, a gente chama as pessoas pelo nome. As pessoas não são números, as pessoas não são dados: as pessoas são pessoas”, enfatizou a desembargadora.
O retrato da violência doméstica e familiar, do ponto de vista da família da vítima, conduziu a narrativa do documentário, concebido para o resgate da memória de uma jovem mãe, de apenas 20 anos, morta em 2023 pelo ex-companheiro. “Meu corpo, suas regras” é uma produção da jornalista Bianca Mortelaro, que conta a história de Emily Bispo da Cruz, assassinada na frente do filho, no bairro Pedra 90, em Cuiabá. O documentário tem 40 minutos de duração, mas ganhou uma versão de 25 minutos, que foi exibida no Plenário da Corte Eleitoral. Segundo a documentarista, entre o processo de criação, gravações e edição, foram mais de seis meses. A produção traz entrevistas com profissionais da Comunicação, representantes do Instituto de Mulheres Negras e uma psicóloga, que abordaram temas como violência de gênero, interseccionalidade, ciclo da violência e o luto.
“É uma história muito perturbadora. O assassino não quis nem assumi-la, então eles não tinham nem sequer um relacionamento amoroso assumido. E quando a gente vai ver os recortes de jornais, essa história foi disseminada de forma completamente diferente do que de fato ocorreu. Então, nesses contatos que eu tive com a família, a gente pôde aprofundar na história dela. A gente fez o documentário sobre um crime sem falar sobre o crime, porque o que a gente queria de fato era trazer um resgate de memória da história dessa vítima, que infelizmente na mídia hegemônica a gente não encontra. A gente tem muitas fórmulas reducionistas que diminuem essas vítimas a meras estatísticas”, relatou Bianca.
A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges elogiou a relevância do documentário e de espaços para o debate chamando a atenção do público masculino, estimulando espaços de acolhimento das vítimas e reflexão. “Além das mulheres, nós também precisamos fazer um trabalho com os homens. Nós viemos aqui hoje falar sobre esse tipo de violência e que essas informações possam ajudar todas as mulheres. Que possamos multiplicar, que possamos, nós, enquanto mães, educar os nossos filhos, tanto os meninos quanto as meninas, para uma sociedade onde tenha respeito, uma cultura de paz e de não-violência”, defendeu a magistrada.
A estagiária Débora Mateus Camargo de Cerqueira gostou da palestra e do videodocumentário. A estudante universitária da área de Engenharia da Computação, lotada na Assessoria de Gestão Estratégica (AGE), relatou que, por mais que as mulheres tenham conhecimento dos direitos, dificilmente elas se veem como vítimas em potencial. “Eu achei o evento muito enriquecedor, esclarecedor também com relação a vários aspectos que a gente não tem muita noção no dia a dia, principalmente no quesito informativo, sobre as medidas protetivas, sobre as violências, os índices também, e sobre a história da pessoa que foi retratada no evento, foi muito tocante”, observou.
Com a iniciativa, a Justiça Eleitoral espera contribuir para a disseminação de informações, o fortalecimento da cultura de respeito e a valorização de práticas que favoreçam a prevenção da violência contra a mulher, em consonância com o propósito de atuar em favor de uma sociedade mais justa e igualitária.
Jornalista Anderson Pinho
#PraTodosVerem - A imagem mostra um auditório lotado durante a exibição de uma apresentação ou vídeo em um telão na parte frontal da sala. O público está sentado em fileiras de cadeiras, atento ao conteúdo apresentado. O ambiente possui iluminação suave, paredes com acabamento em madeira e estrutura moderna, caracterizando um espaço destinado a eventos, palestras ou sessões institucionais.