SoleTRE: Projeto pioneiro de alfabetização uniu pessoas e transformou vidas

Movidos pela vontade de transformar vidas, servidores da Justiça Eleitoral e outros órgãos públicos, médicos e empresários formaram uma corrente solidária e não mediram esforços para que a iniciativa desse certo e deu.

Foi no biênio 2019/2021, especificamente no dia 11 de julho, que nasceu o Projeto SoleTRE, cujo objetivo consiste em promover curso de alfabetização a eleitores que não tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever. Movidos pela vontade de transformar vidas, servidores da Justiça Eleitoral e outros órgãos públicos, médicos e empresários formaram uma corrente solidária e não mediram esforços para que a iniciativa desse certo e deu. Para os participantes, o SoleTRE foi um divisor de águas.

 

“Eu estava em casa quando um anjo me ligou convidando para estudar. Nem sei por que aceitei, mas conclui o SoleTRE sabendo ler e escrever. Sempre tive vergonha disso, de descer na parada errada do ônibus.  Realmente mudou a minha vida e a de muitos colegas”, declarou Fernando Assunção Miranda.

 

A vontade de aprender a ler e escrever era um sentimento sempre presente no coração de Jurema Alina Pedroso. “Eu pedia para as pessoas lerem para mim, mas nem todo mundo lia. Eu ficava com vergonha, dizia que havia esquecido meus óculos. Chegava em casa muito sentida, chorava muito porque eu não sabia escrever, não sabia ler. Tinha muita vontade de aprender e agora já posso ler sozinha”. 

 

Fernando, Jurema e outros 114 alunos do SoleTRE foram alfabetizados por servidores voluntários. Na 1ª edição, que ocorreu no período de 29 de julho a 11 de dezembro de 2019 e contemplou 61 alunos, os conteúdos foram repassados presencialmente nas salas de aulas da Escola Judiciária Eleitoral. Já na 2ª edição, os 55 alunos tiveram aulas presenciais e, após o início da pandemia, virtuais.  

 

Ciente que fatores externos poderiam interferir no processo de aprendizagem dos alunos, os organizadores do SoleTRE empreenderam ações paralelas. Os alunos passaram por consulta oftalmológica gratuita concedida pelo Doutor Renato Bett e a Pró Ótica forneceu os óculos. A Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso doou o material didático, o mesmo que é utilizado na Educação de Jovens e Adultos, bem como coordenou o treinamento dos servidores que atuam como professores e monitores. Já a Universidade de Cuiabá entregou 180 apostilas para treino de letra bastão e cursiva.

 

A união de esforços não parou por aí, a Associação Matogrossense de Transportes Urbanos cadastrou os alunos para a utilização do transporte gratuito e a empresa Bolos do Rei doou os bolos que foram servidos nos intervalos das aulas.  Teve até mesmo uma artesã que confeccionou estojos para os alunos, utilizando calça jeans como matéria prima.

 

Como forma de ajudar os alunos que não possuem condições financeiras favoráveis, os organizadores do SoleTRE promoveram uma campanha para a coleta de cestas básicas e itens de limpeza. Graças aos recursos recebidos por magistrados, servidores e demais voluntários, foi possível doar 71 cestas básicas.

 

A saúde mental dos alunos em tempo de Pandemia também teve atenção dos organizadores do SoleTRE. Durante uma semana, os alunos participaram de encontros e assistiram a palestras sobre depressão e suicídio. Eles ainda aprenderam como buscar ajuda profissional diante de sintomas. A iniciativa foi coordenada pela psicóloga do TRE-MT, Viviane Zaitum. 

 

Continuidade

 

“A educação transforma a vida das pessoas, amplia suas possibilidades de crescimento pessoal e profissional. O SoleTRE é um ato de solidariedade e amor e, sendo assim, deve ter sua continuidade perpetuada e ampliada. Ações que visam à inclusão social e à cidadania devem ser adotadas por todas as organizações, sejam elas públicas ou privadas. Durante essa Gestão, a Justiça Eleitoral promoveu diversas ações merecedoras de aplauso, mas entre elas, o SoleTRE é sem dúvida o principal, por sua essência e reflexo na vida das pessoas”, destacou o corregedor regional eleitoral de Mato Grosso, desembargador Sebastiao Barbosa Farias.  

 

O presidente do TRE, desembargador Gilbeto Giraldelli, deixa um recado a todos que foram alunos do SoleTRE e aos que ainda serão. “O SoleTRE veio para reparar uma injustiça histórica com vocês ao longo da vida. O Estado deveria ter dado a vocês a oportunidade de se alfabetizarem. Por inúmeras razões, seja social, de saúde, vocês permanecerem ao longo dessa vida sem ter essa oportunidade. Mas não deveria ser assim. O que nós queremos é abrir o caminho das possibilidades e facilitar sobremaneira a vida de vocês, muni-los de ferramentas para que possam melhorar suas rotinas, suas atividades e a capacidade de comunicação. Aprender a ler e escrever pode parecer pouco para quem já sabe, mas é muito significativo para quem aprende, pois abre os horizontes e traz mais independência. Que esse curso seja um divisor de águas. Que daqui para frente possam construir uma nova trajetória e que não parem por aqui”.

 

Jornalista: Andréa Martins Oliveira​

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