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TRE-MT capacita servidores para auditoria que comprova a integridade dos votos nas urnas eletrônicas
Treinamento reuniu servidores do Sistema de Justiça em aulas teóricas e práticas neste sábado (26)
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) realizou, neste sábado (26), uma capacitação para preparar servidores públicos que atuarão no Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas durante as Eleições Gerais de 2026. A atividade reuniu representantes de instituições do Sistema de Justiça e integra os preparativos para a auditoria que permite verificar, na prática, se os votos digitados nas urnas são registrados e contabilizados corretamente.
O treinamento foi dividido em duas turmas, com atividades teóricas e práticas. A abertura das aulas contou com a presença da presidente do Tribunal, desembargadora Serly Marcondes, que destacou o papel fundamental dos participantes na transparência e na fiscalização do processo eleitoral.
“Cada um de vocês desempenha um papel fundamental para a Justiça Eleitoral e para a democracia. O Teste de Integridade é uma oportunidade de demonstrar, de forma prática e transparente, como funciona o sistema eletrônico de votação. Quando vocês participam desse processo, não estão apenas contribuindo com uma atividade técnica, mas ajudando a assegurar à sociedade que cada voto será registrado e contabilizado corretamente. A participação de instituições parceiras fortalece esse trabalho e demonstra que a construção de eleições seguras e transparentes é uma responsabilidade compartilhada”, destacou a presidente.
A capacitação foi conduzida pela Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica (CAVE), responsável pela organização dos procedimentos de auditoria das urnas no estado. Na primeira etapa, realizada no plenário do TRE-MT, os participantes receberam orientações sobre as etapas do Teste de Integridade, as atribuições de cada integrante da equipe e os procedimentos que deverão ser observados durante o dia da eleição. Em seguida, os servidores participaram de uma atividade prática no térreo do Tribunal, reproduzindo as tarefas que serão executadas durante a auditoria.
A secretária da CAVE, Karina Dziedzic, explicou que o objetivo é assegurar que todos os envolvidos estejam preparados para executar os procedimentos corretamente. “O Teste de Integridade é um dos mecanismos mais importantes de transparência da Justiça Eleitoral, porque permite demonstrar, de maneira prática e verificável, que o voto digitado pelo eleitor é exatamente aquele registrado e contabilizado pela urna eletrônica. Não estamos falando apenas de confiar no funcionamento de um equipamento, mas de submeter esse funcionamento a uma fiscalização pública, com procedimentos que podem ser acompanhados pela sociedade e pelas instituições fiscalizadoras”.
A capacitação desses servidores é fundamental justamente porque eles serão responsáveis por executar essa auditoria. “Cada voto será registrado na urna e em um sistema independente de apoio. Ao final, os resultados serão comparados para verificar se há correspondência entre os votos digitados e os contabilizados. O que buscamos é assegurar que todo o procedimento seja conduzido com rigor, transparência e possibilidade de verificação. É dessa forma que a Justiça Eleitoral permite que a sociedade acompanhe o funcionamento das urnas e compreenda, na prática, os mecanismos de segurança e fiscalização do processo eletrônico de votação”, detalhou Karina.
Participação que fortalece a democracia
A capacitação foi destinada a servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT), do Tribunal Regional Federal (TRF) e do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT). Entre os participantes estava Cristiane de Cássia Lopes de Lima Costa, que destacou a importância de conhecer os mecanismos de fiscalização e contribuir diretamente com a realização das eleições.
Para ela, participar do Teste de Integridade representa uma oportunidade de compreender melhor o processo eleitoral e exercer a cidadania para além do momento de votar. “A gente vê que precisa participar mais, estar dentro do processo, entender como acontecem as coisas aqui dentro. É uma forma realmente de contribuir e entender que você faz parte, que não é mero espectador”, afirmou.
Cristiane também ressaltou que a participação dos servidores contribui para o aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização. “É uma forma de estarmos aprimorando inclusive esse processo tão importante para o exercício da democracia”, completou.
Como funciona o Teste de Integridade?
O Teste de Integridade é uma auditoria pública realizada no mesmo dia da votação oficial. Sua finalidade é verificar se a urna eletrônica registra e contabiliza os votos exatamente como foram digitados, utilizando cédulas de votação previamente preenchidas com números de candidaturas reais.
Em Mato Grosso, 23 seções eleitorais serão selecionadas para os procedimentos de auditoria. Desse total, 20 urnas passarão pelo Teste de Integridade e três serão destinadas ao Teste de Autenticidade dos Sistemas Eleitorais.
A definição ocorrerá na véspera da eleição, durante uma cerimônia pública no plenário do TRE-MT, com a participação de representantes de entidades fiscalizadoras, partidos políticos e federações.
Karina explicou que essas instituições poderão indicar seções eleitorais dentro do raio de 300 quilômetros estabelecido a partir de Cuiabá, observadas as restrições relativas às localidades de difícil acesso. Caso não sejam indicadas todas as seções necessárias, a escolha será complementada por sorteio aleatório, utilizando globos de bingo. Após a definição, equipes do TRE-MT iniciarão o transporte das urnas selecionadas até a capital, onde serão preparadas para a auditoria do dia seguinte.
Votos em papel e na urna são comparados
Durante o Teste de Integridade, os participantes recebem cédulas de papel previamente preenchidas e registram os mesmos votos na urna eletrônica e em um sistema de apoio instalado em computador. A auditoria reproduz o funcionamento normal da urna durante o período de votação. Ao final, os registros são conferidos para verificar se os resultados são correspondentes.
“Usamos essas cédulas durante o teste de integridade para lançar os votos tanto na urna eletrônica quanto em um sistema de apoio no computador. Passamos o dia registrando e, às 16h, contabilizamos e comparamos o resultado da urna e do sistema de apoio para verificar se todos os votos foram computados corretamente”, detalhou Karina.
A coordenadora também explicou que eventuais divergências identificadas em procedimentos anteriores foram esclarecidas por meio da análise das gravações da auditoria, que permitiram identificar erros humanos de digitação.
O Teste de Integridade das Eleições 2026 será realizado no auditório da UniSENAI, no bairro Porto, em Cuiabá. O procedimento é público e poderá ser acompanhado pela sociedade e pelas entidades fiscalizadoras, reforçando os mecanismos de transparência da Justiça Eleitoral.
Daniel Dino
Assessoria do TRE-MT